Nas tuas mãos desenha-se o meu destino, traçado em crayon cor de flama poente, as montanhas e o mar; sinuosa estrada em púrpura incendiada, convergentes o Nunca Mais e o Sempre. Teu nome espalmado em tinta rubra, signo abrasado nos meus dedos em doce absinto, vertiginosa curva, tua letra arredondada na minha luva de pétalas. Umas castanholas pulsam o canto da terra salgada, eu te chamo: vem ver tua fortuna, vem ver teu caminho que se desdobra em som e cor, vem ver o que pintei no muro — aquele que atravessa meus dias, pétreo Não; eu fiz da sua recusa um painel amarelo de ouro, prata cintilante e os tons do meu querer ali revelados; vem ver o que tracei nas linhas da minha mão: tua presença inventada e as noites que nunca vivemos, agora recriadas em giz e iluminadas em verso. E é como se tuas mãos já tão distantes não se tivessem separado das minhas, e é como se as minhas não fossem estas que escrevem tua ausência, a obliteração dos meus dias, o céu tingido de ocre-sangue seco e dormido, aquela nódoa parda que um dia foi vida, que um dia foi vermelho vibrante e fomos nós.
Ventura
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